Gravatas e moldura, ternos que nos couberam

segunda-feira, 15 de março de 2010

5. Idéia Sobre a Origem da Cultura

Livro: "Cultura: um conceito antropológico" - Roque de Barros Laraia
pág. 53

Neste capítulo o autor (LARAIA, 2009) mostra como, para os estudiosos da cultura, é importante a origem das manifestações culturais, pois são estas manifestações que diferencia os seres humanos dos outros animais.
Realmente, se foi importante entender todo o processo histórico da definição da palavra “cultura” ao longo dos tempos, é também natural crer que importante entender quando e como se deu o processo das manifestações culturais.
Segundo Laraia (2009), as manifestações culturais começaram a ocorrer no momento em que o homem passou a raciocinar e ir além dos primatas.
Ao continuar desenvolvendo seu pensamento sobre o assunto, Laraia (2009) cita alguns autores que tentaram explicar o processo de evolução do cérebro humano, e logo a origem das manifestações culturais, sendo Richard Leackey e Roger Lewin os primeiros exemplificados por ele. Laraia (2009) segue afirmando que o início do desenvolvimento do cérebro humano se deu devido a privações que ocorreram paulatinamente, estas privações originaram adaptações que o ser humano teve que adquirir para sua sobrevivência, entre estas adaptações está à capacidade de raciocínio.
Laraia (2009) expõe que David Pilbean achava provável que a capacidade do bipedismo devia-se ao processo seletivo que o habitat impunha aos animais, raciocínio semelhante ao proposto por Charles Darwin, e afirmava que somente os primatas tinham a capacidade de se colocar em duas patas, ao menos uma vez na vida.
Para Kenneth P. Oakley, o ser humano adquiriu a capacidade de se posicionar de forma ereta, devido à necessidade de estirar os braços para apanhar o que desejava obter, com isso o cérebro humano se exercitou e se desenvolveu. Desta forma, Oakley concorda com a colocação do autor (LARAIA, 2009), quando diz que a cultura é o resultado desta evolução e aprendizado cerebral.
Para Laraia (2009) há controvérsias no que diz respeito à origem das manifestações culturais. Ele cita o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, quem acreditava que o inicio da representação cultural se deu no momento em que o homem, como ele mesmo definiu, “convencionou a primeira regra”, para Claude essa regra foi baseada em valores de grupo.
Já de acordo com Leslie Withe, norte-americano e também antropólogo, a evolução do cérebro humano, ou seja, a capacidade de raciocinar e se diferenciar dos primatas produzindo cultura, aconteceu no momento em que “o cérebro do homem foi capaz de gerar símbolos.”. White afirma também que, para que seja reconhecido um símbolo, deve-se conhecer ao mesmo tempo a cultura na qual ele está inserido. Desta forma, infere-se que a cultura é a responsável por produzir significado há esta “simbologia”, citada por Withe (LÉVI-STRAUSS; WHITE apud LARAIA, 2009 p. 55).
Laraia (2009) segue linha de pensamento salientando como foram quase unânimes as opiniões de intelectuais, citados no capítulo, acerca da origem da cultura, onde ela teria surgido de repente.
Discordando das opiniões anteriores acerca da origem da manifestação cultural, ele lembra que para a ciência o processo de evolução do cérebro humano e manifestação cultural ocorreram de forma lenta.
Seguindo esta linha de raciocínio, Laraia diz que, o antropólogo norte-americano Clifford Geertz, em seu artigo “A transição para a humanidade” mostra como por meio da paleontologia humana é notável a lentidão na formação do corpo humano [logo também do cérebro] (GEETZ apud LARAIA, p 57 e 58).
Finalmente, após todas essas declarações, e apesar da discordância em relação à mensuração de tempo de evolução, é possível perceber que a grande maioria dos intelectuais concorda que o início do desenvolvimento e manifestação cultural se deu de acordo com a evolução do cérebro humano e sua capacidade de raciocínio.

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