Gravatas e moldura, ternos que nos couberam

segunda-feira, 15 de março de 2010

4. O Desenvolvimento do Conceito de Cultura

Livro comentado: "Cultura: um conceito antropológico" - Roque de Barros Laraia
pág. 30

Como visto antes, Tylor expôs a primeira definição de “cultura” com a junção de dois termos, onde um completa o outro, além disso, segundo Laraia, Tylor afirmava que a cultura tratava-se de um objeto de estudo sistemático por ser dinâmico e natural, e que contém causas e regularidades, o que permite um estudo de acompanhamento do processo de sua evolução de forma eficaz. (Laraia 2009).
Ao refletir sobre o pensamento de Tylor, endende-se que ele fez tal afirmação por crer que a cultura evolui, mas mantém um ritmo que pode ser acompanhado.
De acordo com Laraia, Taylor agregava ao pensamento a déia de que o a natureza humana é igual, e que no estudo de comparação de raças que tenham o “mesmo grau de civilização”, ou seja, com indivíduos inseridos na mesma cultura, pode-se obter resultados precisos (TYLOR apud LARAIA, 2009, p. 32).
Segundo Laraia, Tylor via a diversidade cultural como “retardos no processo” no aprendizado, e evolução do mesmo, que causa as “desigualdades” culturais de alguns povos em comparação com outros, ou seja, para Tylor, todos os povos no mundo tinham a mesma capacidade de se desenvolver culturalmente, e se não o faziam não era por interferências biológicas ou geográficas. Ele, ainda, atribui a Antropologia a tarefa de determinar ma “escala de civilização”. (TYLOR apud LARAIA, 2009 p. 33).
Deste modo, é observável que Tylor obtinha um pensamento unilateral a cerca da evolução da cultura e a diversidade cultural, e é por este motivo que Stocking (1968) o critica por não considerar a evolução do fenômeno relativa. (STOCKING apud LARAIA, 2009 p. 34).
De acordo com Laraia, Tylor foi considerado o pai do ”difusionismo cultural”, expressão segundo Stocking, exeto no que diz respeito a sua inadmissão acerca da multiplicidade do caminho cultural (STOCKING apud LARAIA, 2009 p. 34).
O fato de não aceitar a idéia de que a cultura possui uma “evolução multilinear, como diz Stocking, o trouxe muitos desafetos e críticas para Tylor. (LARAIA 20096).
Acerca do evolucionismo, quem mais criticou ferozmente esta linha de pensamento foi o antropólogo Franz Boas (1858 – 1949), em sua obra “The Limitation of the Comparative Method of Anthropology”. A crítica consistia no fato de Boas discordar da opinião de Tylor sobre a sugestão de funções da Antropologia, Tylor defendia que a mesma poderia mensurar e esquematizar com precisão o “futuro” cultural dos povos menos desenvolvidos, a este respeito, com base nos povos mais desenvolvidos culturalmente, os europeus, por exemplo. Já Franz Boas, considerava como atribuições da antropologia traçar um comparativo entre as diferenças culturais dos povos, trabalhando com os dados obtidos para a compreensão dos diversos segmentos trilhados pela cultura em povos distintos, e não tendenciar estas diferenças apontando que uma está mais evoluída que a outra e que todas as menos evoluídas seguirão o caminho percorrido pela cultura considerada mais evoluída. Afinal, quais fatos podem assegurar que existem culturas mais evoluídas e que, com precisão, as menos evoluídas seguirão seu caminho? Essa é uma pergunta que, para Franz Boas, a resposta é: nenhum (LARAIA 2009).
Em outro ponto do capítulo, acerca das declarações de Alfred Kroeber (1876-1960) sobre a cultura, Laraia diz que é necessário que o indivíduo, além de inteligência, tenha ao seu alcance meios que proporcione “descobrir suas habilidades e desenvolvê-las (LARAIA, 2009).
Concordando com o ponto de vista do autor, salienta-se que esses “materiais”, como expressa o autor, sim, interferem na cultura do indivíduo, e o proporciona descobrir e aprimorar talentos ocultos, que em outra realidade, assim permaneceriam.
O próprio Laraia exemplifica, citando Alberto Santos Dumont (1873-1932), que muito provavelmente não teria deixado como herança para a humanidade o avião, pois não teria tido acesso a todo o conhecimento e materiais necessários para a realização do feito em uma cidade de interior, onde não obteria fontes de conhecimento específicas como auxílio (LARAIA 2009).
Antes de encerrar o capítulo, o autor (LARAIA, 2009) aborda um ponto muito interessante quando fala sobre a repressão dos instintos humanos pela cultura. Ele exemplifica com uma criança que segue seu instinto procurando pelo seio da mãe, ao longo do processo de crescimento essa criança desenvolve a capacidade de comunicação; essa capacidade o possibilita aprender e vivenciar a cultura na qual está inserida. Após esse processo de comunicação inicial, já na sua fase adulta, o indivíduo começa a se enquadrar no que Laraia chama de “padrões sociais”, e é a cultura é quem determina esses padrões, gera recalques e acordos sociais que levam o individuo a reprimir seus instintos e desejos para ser aceito na sociedade a qual está inserido. Desta forma, o autor (LARAIA, 2009) conclui o assunto afirmando que “a comunicação é um processo cultural”, ou seja, o ato de se comunicar é uma manifestação cultural (LARAIA, 2009).

Nenhum comentário:

Postar um comentário