Gravatas e moldura, ternos que nos couberam

segunda-feira, 15 de março de 2010

3. Antecedentes Históricos do Conceito de Cultura

Livro comentado: "Cultura: um conceito antropológico" - Roque de Barros Laraia

pág 25

Como já apresentado anteriormente o conceito de cultura hoje pode ser entendido como o conjunto de hábitos, crenças, valores, rituais, costumes e a evolução deles ao longo da vida de um indivíduo, ou seja, tudo o que faz parte do universo dele.
Neste capítulo são expostos os antecedentes da atual definição de cultura.
Segundo Laraia o termo Culture, do inglês, é a definição do termo cultura mais parecido com o que conhecemos hoje. Trata-se da junção das palavras Kultur, do alemão, que “era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade”, e a palavra Civilization, do francês, que “referia-se principalmente às realizações de um povo. (LARAIA, p. 25).
O autor continua informando que Edward Tylor (1832-1917) quem promoveu a junção das palavras alemã e francesa e criou o termo Cultue. Em relação à definição do novo termo, Tylor se manifesta: “tomando em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos , crenças, arte, moral, leis, costumes, ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade” (Edward Tylor , 1871 apud laraia, 2009, p 25).
Sábia foi esta fusão de palavras que gerou a uma única a com uma definição mais abrangente, pois todo indivíduo é constituído de mente e corpo, logo por conceitos e ações mentais e físicos, estes conceitos e ações são aprendidos e/ou aprimoradas ao longo do tempo, originando o repertório cultural de uma pessoa. Laraia salienta que Tylor somente “formalizou” o termo, e que ele já vinha sendo idealizado há tempos atrás. Segundo o autor, os primeiros vestígios acerca da definição de cultura como a expressa por Tylor, ganhou consistência antes mesmo de John Locke (que defendia a endoculturação, afirmando que a mente é uma caixa vazia quando nascemos e que somente absorve o que é aprendido (LARAIA, p 25).
Reforçando as idéias de Locke o antropólogo o norte americano Marvin Harris (1969) diz “Nenhum ordem social é baseada nas verdades inatas, uma mudança no ambiente resulta numa mudança no comportamento.” (Marvin Harris 1969 apud Laraia, 2009) e Jacques Turgot (1727-1781) seguia a mesma linha de pensamento.
Houve várias tentativas de aprimorar o sentido do termo Culture, mas que não conseguiram contribuir, e sim confundir sua definição. Mesmo sendo aceitável o termo Culture, de Tylor, se fez necessário, com o passar do tempo, que os antropólogos analisassem e fizessem um acordo sobre conceito do mesmo (LARAIA, 2009). Como apresentado antes, Tylor apostava que cultura era qualquer aprendizado, não hereditário, do homem e a evolução dele, e Kroeber concordou com a exclusão da biologia e sua hereditariedade, que supostamente interfere na cultura, e contribuiu com o pensamento de Tylor completando o sentido da palavra publicando o trabalho “O Superorgênico” que abordava tais afirmações (LARAIA, 2009, p. 28). E todo este processo contribuiu para o conceito de cultura que temos hoje.


Edward Tylor

Antropólogo inglês que traz grande
contribuição para a abordagem do assunto.
Ele é bastante citado por Laraia.



John Locke

O filósofo inglês acreditava que “todo
conhecimento humano pode ser obtido
por meio da percepção sensorial ao
longo da vida. A mente do ser humano
ao nascer seria como uma folha em branco,
e tudo que se sabe é aprendido depois.
Baseava sua crença no poder da educação
como transformadora do mundo.”




Marvin Harris

Marvin Harris foi um antropólogo
norte-americano que abordou no
estudo da cultura e se
colaborou no estudo da mesma.

Anne-Robert-Jacques Turgot (1727-1781).

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