Gravatas e moldura, ternos que nos couberam

segunda-feira, 15 de março de 2010

2. O Determinismo Geográfico

Livro comentado: "Cultura: um conceito antropológico" - Roque de Barros Laraia
pág. 21

Em mais uma tentativa de explicar a as causas da diversidade cultural, intelectuais levam em conta outra teoria, o determinismo geográfico. Se no determinismo biológico era considerada que a diversidade cultural era determinada pelas diferenças genéticas, o determinismo geográfico apostava na as diferenças no ambiente físico, e assim como o determinismo biológico era geralmente defendido por antropólogos, o determinismo geográfico era defendido, na maioria das vezes, por geógrafos do final século XIX e início do século XX. (LARAIA, 2009). Segundo Laraia “São explicações existentes desde a Antigüidade do tipo das formuladas por Pollio, Ibn Khaldun, Bodin e outros” (LARAIA, 2009, p. 21). O autor se refere a mesma linha de pensamento dos defensores do determinismo biológico, quando cita Pollio, por exemplo, o autor se refere a afirmação feita por ele:Os povos do sul têm uma inteligência aguda devido a raridade da atmosfera e do calor; enquanto os das nações do Norte , tendo se desenvolvido numa atmosfera dença e esfriados pelos vapores dos ares carregados, têm uma inteligência preguiçosa.(Marcus V. Pollio apud Laraia, p. 13). Os outros citados pelo autor, Ibn Khaldun, Bodin, seguiam a mesma linha de pensamento de Pollio (LARAIA, p. 21). Desta forma, Laraia segue citando o autor Huntington, onde diz que ele considera que o clima interfere na relação entre latitude e os centros de civilização, o que caracteriza o determinismo geográfico (LARAIA, p. 21). O autor diz que em 1920 os antropólogos Boas, Wissler, Kroeber, entre outros, mostraram que aspectos geográficos, do determinismo geográfico, não influenciam totalmente sobre a diversidade cultural, e afirmam que é possível a existência da mesma em um mesmo tipo de ambiente físico (LARAIA, p. 21). O autor segue o pensamento, tentando mostrar a falha da teoria, tomando como exemplo, os lapões e os esquimós, onde “Ambos habitam na calota polar norte, [...]Vivem, pois, em ambientes geográficos muito semelhantes, caracterizados por um longo e rigoroso inverno. Ambos têm aos seu dispor a fauna e a flora semelhantes.” (LARAIA, 2009, p. 22). Com base neste exemplo e segundo a teoria abordada, ambos deveriam ter as mesmas respostas culturais ao ambiente, o que não ocorre de fato. As diferenças básicas entre os esquimós e os lapões: Os esquimós vivem em iglus, casas feitas de blocos de neve sobrepostos que quando pronta tem um formato semelhante a um cupinzeiro, e são caçadores de renas. Já os lapões constroem seus abrigos, tendas, com peles de renas, e tem por hábito criar esses animais. (LARAIA, 2009). Com este exemplo já é possível considerar sem fundamento a teoria do determinismo geográfico, mas o autor chegou a citar três exemplos, um deles é o comparativo cultural entre os esquimós e os lapões, como visto anteriormente, a variação cultural entre os índios do sudeste norte-americano: os índios Pueblo e os Navajo (segundo estudos do Antropólogo Felix Keesing) e por último faz um comparativo entre os povos indígenas da reserva do Xingu: os xinguanos e os Kayabi. (LARAIA, 2009). No encerramento do capítulo Laraia, para justificar consistentemente, expõe estes exemplos “[...] que não é possível admitir a idéia do determinismo geográfico [...]” (LARAIA, 2009, p 24). Os argumentos expostos pelo autor são fortes, basta observar para que se chegue a uma conclusão semelhante. Mas uma coisa hoje é fato, nem as diferenças biológicas e as diferenças geográficas são determinantes das diferenças culturais.

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