Gravatas e moldura, ternos que nos couberam

segunda-feira, 15 de março de 2010

1. O Determinismo Biológico

Livro comentado: "Cultura: um conceito antropológico" - Roque de Barros Laraia
Pág. 17 a 20

Como comentado anteriormente, mitos e lendas são criados e repassados de geração em geração, muitos são mantidos até hoje. Já no início do capítulo o autor (Laraia. 2009) expõe os mitos que permanecem ainda hoje nas sociedades, abaixo segue alguns deles: Muita gente ainda acredita que [...] que os judeus são avarentos e negociantes ; que os norte-americanos são empreendedores e interesseiros; que os portugueses são muito trabalhadores e pouco inteligentes [...], e, finalmente, que os brasileiros herdaram a preguiça dos negros, a imprevidência dos índios e a luxúria dos portugueses. (LARAIA, 2009 , p. 17).

Exemplos de acerca das crenças na "avareza" dos judeus...

..."interesses e ganância" dos norte-americanos...


... da “burrice” dos portugueses...

Algumas piadas de portugês:

1 - Uma vez um portuga vai ao médico e diz a ele: - Doutoire, quando eu me toco aqui, dói; quando toco cá, dói também; quando toco a cabeça, dói; depois de comer, toco aqui e continua doendo! que devo fazer doutoire? E o médico diz: - Não seja imbecil, você tá com o dedo quebrado!

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2 - O que é que fazem 17 portugas à porta de um cinema? Estão à espera de mais 1. Por quê? O filme é só para mais de 18

... e, finalmente, da "luxúria e preguiça" dos brasileiros.


Ainda segundo Laraia (2009) afirmações têm como base o a teoria do “determinismo biológico”, hoje descartada, que defende que as características dos povos, são herdadas biologicamente dos antepassados, logo as diferenças culturais também.
O autor (Laraia, 2009) continua suas observações afirmando que para os antropólogos o determinismo biológico faz uma generalização perigosa que faz com que ela seja repudiada e caia por terra, pois com certeza as diferenças culturais não são conseqüências das diferenças genéticas.

Citado no livro, o antropólogo Félix Keesing conclui o pensamento e defende a afirmação anterior:
[...] não existe correlação significativa entre a distribuição dos caracteres genéticos e a distribuição dos comportamentos culturais. Qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura, se for colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado.[...] (KEESING, apud LARAIA 2009 p. 17),
Nota-se que Keesing justifica a não consistência do determinismo bilógico por meio do uso da teoria do condicionamento ao modo Bahaviorista:

¹Dê-me uma dúzia de crianças saudáveis, bem formadas, e meu próprio mundo especificado para trazê-las, e eu garanto tomar qualquer uma aleatoriamente e treiná-la para se transformar em qualquer tipo de especialista que eu escolher - médico, advogado, artista, comerciante e até mesmo mendigo e ladrão, a despeito de seus talentos, inclinações, tendências, habilidades, vocações e raça de seus antepassados (http://terapia-comportamental.blogspot.com/2010/01/de-watson-skinner.html. Watson, J.B. Behaviorism, 1930, p. 82)
Abaixo, alguns exemplos de personalidades de diversas nacionalidades que contradizem o discurso do determinismo biológico e os exemplos de pré concepções acerca da cultura dos povos, como exposto pelo autor (LARAIA, 2009).


Patch Adams
¹O norte – americano Hunter Adams Campbell é fundador do hospital filantrópico nos Estados Unidos, o Instituto Gesundheit que atende gratuitamente seus pacientes com afeto além da medicina.
¹http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/182/entrevistados/patch_adams_2007.htm



José Saramago
¹José de Sousa Saramago (1922) é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português galardoado com o Nobel da Literatura em 1988. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Mostra o quão culto pode ser um português.
¹http://www.pensador.info/autor/Jose_Saramago/biografia/

Santos-Dumont
Alberto Santos-Dumont, o inventor do avião não pode ser considerado preguiçoso por se brasileiro. Afinal, persistência e dedicação era sua maior virtude, mesmo quando todos diziam que ele não conseguiria.

Nota-se com clareza adequada motivo do desuso desta teoria tendo como análise o próprio povo brasileiro e a visão de sua imagem internacionalmente. Desenhos e filmes como “Os Simpsons” e “Turistas” causaram polêmica e também a indguinação no país por ter reforçado estereótipos, neste caso resultando em imagem negativa, pelo mundo acerca de nossa cultura.

Vídeo com um trecho do polêmico episódio dos Simpsons no Rio de Janeiro

lomk: http://www.youtube.com/watch?v=invBjPmY8iE

Vídeo com trailler do filme Turistas
link: http://www.youtube.com/watch?v=9B6KGqtJyDI&feature=related

Segundo o autor (LARAIA, 2009, pág. 18), em sua discussão sobre o assunto da herança biológica da diversidade cultural, “[...] antropólogos físicos e culturais, geneticista biólogos e outros especialistas, reunidos em Paris sobre os auspícios da UNESCO, redigiram uma declaração [...]”. É importante notar que neste momento, não era somente os antropólogos que questionavam a autenticidade e o embasamento da teoria do determinismo biológico, e que estes outros especialistas mencionados pelo autor concordavam no mesmo ponto. O autor expôs dois parágrafos desta declaração, onde os especialistas afirmavam que os dados científicos que possuíam não indicavam que a as diferenças na herança genética era o fator determinante para a causa das diferenças culturais entre os povos. Justificam ainda, que a história cultural de cada grupo e a capacidade de aprender e se adaptar é quem explica a questão, o que reforça o pensamento de Keesing exposto anteriormente (declaração da UNESCO, 1950 apud LARAIA, 2009, p. 19).
O pensamento continua quando afirma, ainda, que - com base na ciência afirmam que é comprovado que a capacidade mental dos humanos é quase a mesma em todos os grupos étnicos. (declaração da UNESCO, 1950 apud LARAIA, 2009, p. 19).
(escrito de forma diferente mas é uma mesma idéia que o autor disse, ver como citar).
Laraia conclui o que havia sido dito por Keesing anterormente, quando diz que “[...] o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo que chamamos de endoculturação. [...]” (2009, p. 19 e 20).
Ora, se a ciência, que é a maior autoridade reveladora e comprovadora dos fatos desmente metodologicamente os argumentos que justificavam o determinismo biológico, não há como a teoria ter até hoje fundamento. Desta forma, ela é dispensável hoje.

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